Por André Vasconcelos
Opiniões favoráveis a um artista são extremamente tendenciosas principalmente quando essa pessoa é uma amiga pela qual temos grande admiração. Portanto, sou suspeito.
Ressalto que, neste caso, porém, quem se dispuser a apreciar com atenção e sensibilidade as interpretações de Lêda Dias verá que os elogios a sua arte e talento são mais que justificáveis, por demais merecidos.
Lêda, possuidora de uma voz educada e privilegiada, com um belo timbre, soube com muita competência registrar pérolas da música brasileira. O seu disco “Canções Brasileiras”, que contou com a produção executiva impecável do amigo e jornalista Anselmo Alves, nos chega em formato de CD e em velho e bom vinil, os quais foram prensados na República Tcheca; presente valioso para quem como eu não deu fim a sua radiola ou vitrola como queiram. Ainda sou um adepto da sonoridade do LP.
| Capa do LP |
A escolha do repertório contempla obras de Luiz Gonzaga, Lamartine Babo, Cândido das Neves, René Bittencourt, Hermínio Bello de Carvalho, Teca Calazans, Raimundo Asfora, Rosil Cavalcanti, Zé Marcolino, Dominguinhos, Adauto Santos, Zeto, Maria Dapaz, ... . São páginas memoráveis do cancioneiro nacional (Olha pro Céu, Serra da Boa Esperança, Sertaneja, Noite Cheia de Estrelas, Saudade Imprudente, Triste Berrante, Tropeiros da Borborema, ...) com belos arranjos de Kiko Chagas, Zé da Flauta e do violonista e maestro Nenéu Liberalquino, como também, Lêda escalou um time de qualidade para acompanhá-la, a exemplo dos músicos: Spok, Beto Hortiz e César Michiles. Entre outros músicos de primeira linha contou com a participação especial do mestre Zé Calixto.
Não bastasse o deleite musical, passei a contemplar o trabalho de outros artistas que enriqueceram o disco “Canções Brasileiras”, através de um projeto gráfico (capa, contra-capa e encarte) muito bem elaborado que conseguiu se harmonizar e traduzir toda a expressividade e beleza das interpretações de Lêda Dias. Artes que se completam. Dessa forma, fui apresentado a pintora Guita Charifker.
| Capa do CD |
Nos conta Anselmo Alves que “a aquarela de Guita Charifker, foi gentilmente cedida pela artista para o disco e habilmente inserida no projeto gráfico pela sensibilidade de Ana Rios. A lente de Breno Laprovítera registrou a imagem da cantora, maquiada por Samuel Braga, em belo ensaio fotográfico. O resultado caprichado desse projeto gráfico foi enriquecido com uma impressão impecável com vernizes e texturas pela FacForm.”
Tudo realizado com extremo bom gosto e refinamento.
Há tempos acompanho as atividades de Lêda Dias em prol da cultura nordestina, quer seja como historiadora, pesquisadora e musicista tocadora de sanfona de 8 baixos, integrante de produção do documentário “Arlindo dos 8 Baixos – o Mestre de Beberibe”, na implantação e gerência do Memorial Luiz Gonzaga (no Recife) e na publicação de títulos como “Cine-Teatro do Parque – Um Espetáculo a Parte”.
Em maio deste ano lançou a biografia “Eu sou Anastácia – Histórias de uma Rainha”, em parceria com a própria compositora e cantora Anastácia. O livro é daqueles que quando se começa a ler você não quer parar. É uma obra que não pode faltar no acervo de quem gosta de música brasileira e nordestina.
Lêda também coordenou projeto de pesquisa a respeito do compositor Zé Dantas, tendo como resultado o livro "Zédantas - Segundo a Letra I".
Após participações como vocalista em cds de vários artistas (Josildo Sá, Arlindo dos 8 Baixos, ...), Lêda Dias nos presenteia com o seu maravilhoso álbum solo “Canções Brasileiras”, o qual será lançado amanhã (16/11), no Teatro de Santa Isabel, no Recife. Ótima oportunidade para o amante da boa música admirar um trabalho excelente, feito com zelo e primor - digno dos maiores prêmios, como também para adquirir o disco que é algo para ser saboreado, degustado como um bom vinho, pois sua voz suave emana da alma e emociona quem lhe ouve. Voz avelulada e abençoada que unida a verdadeiras jóias da nossa música são de um encantamento todo especial.
Com toda certeza, um dos melhores discos deste 2011, para orgulho de Pernambuco.
Concluo, reproduzindo citação que Lêda escolheu para o encarte do seu "Canções Brasileiras".
"Não sei onde aprendi a cantar
Só sei que não consigo esquecer
Cantiga vem do céu
Vem do mato e vem do mar
Faz o meu coraçãozinho doer"
(Caetano Veloso)
Mais parecido com ela, impossível.
Portanto, viva Lêda Dias e o seu “Canções Brasileiras!!!
Serviço:
Dia: 16 de novembro (quarta-feira)
Local: Teatro de Santa Isabel – Recife (PE)
Hora: 21 horas
Direção musical do maestro Nenéu Liberalquino
Entrada franca
Distribuição de ingressos limitada a capacidade do teatro
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